Em dias cinzas e nublados, colo e cafuné. Lembro de um lugar que não existe e que pouco conheci, apenas uma nostalgia por uma vaga idéia do que seria a experiência. Maluco ter saudades do que não se viveu. Eu quero colo. Eu quero a minha mãe. E ela não vem. Não tem como.
 (Dona Liu aos 19 anos)
Escrito por Renata CS às 17h43
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Diálogos
- É Cidoca, rapadura é doce mas não é mole não. - Não é mole mas é uma delícia.
(e assim esqueço da nhaca e até a melancolia cai na gargalhada)
Escrito por Renata CS às 14h29
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Ontem, quando sua mão pesada de melancolia e tristeza se direcionava à meus ombros, tentei fugir. Fui correr. 30 minutos. Talvez por estar numa esteira que não permitia que saísse do mesmo lugar, ela tenha me envolvido. É quase como seda que vem e delicadamente encrola-se no corpo. Sem perceber você forma casulo.
Entristece, sensação de estranheza, dúvidas na cabeça. Odeio incomodar, como odeio ser incomodada. Então me calo que é para não dizerem que mais uma vez trago o furacão que existe aqui dentro prá ventanear a todos. Não sei como lidar. Penso em fugir. A solidão estende seus ossos finos em minha direção, como que pedindo para eu pegar a mão que há tempos tento abandonar.
Sigo sozinha, sem as mãos dela. Não vou à Maracangalha. Mas também não vou trabalhar como gostaria, essa porcaria entorpece.
Ouço música francesa. Já que é prá entristecer, que seja de uma forma fina. Cest la Vie.
Escrito por Renata CS às 14h27
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Depois que parte de Kosovo foi liberado, resolveram trazer a Bósnia-Hezergovina prá rua da minha casa, vejam vocês. E eu pensando em montar trincheira no apartamento 52, bazuca à postos para aproveitar esses horrendos buracos de ligação de gás. Ia ser bonito ver tudo ir pelos ares.
Escrito por Renata CS às 02h54
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Ketchup é o símbolo maior da cultura americana. Como a cultura americana, o ketchup é aquela condimento industrializado, com sabor agradável, que você pode colocar em qualquer comida que vai ficar ok, porque na verdade o prato que foi devorado pelo ketchup perde seu sabor, fica aquela coisa com gosto de .... ketchup. Tente com sanduíche. Tente com ostras ou ovas. Tente até com pizza, como pregam os cariocas. A cultura norte-americana é assim, ela vem, se apropria de outras culturas e as vende para o mundo sob forma de pastiche. Como se o tempero americano fosse o necessário para tornar isso digerível aos olhos do mundo.
Quando você não conhece o verdadeiro sabor de alguma coisa, e nem quer conhecer, o ketchup é a bendita arma de salvação que vai te fazer engolir qualquer coisa, por pior que seja, pois lá vai estar aquele conhecido gosto docinho-ácido que é tão fácil de lidar.
New Yorker, revista bacaninha que ficou inviável nos tempos de dolar-a-trereal, tem uma matéria falando sobre o ketchup. Por que, entre todos os condimentos, o ketchup nunca mudou? Há dezenas de marcas e tipos de mostarda, por exemplo, e isso não acontece com o tradicional molho de tomate americano. A matéria fala também de como o americano não se importa em pagar mais desde que a idéia de sofisticação esteja embutida no preço. Foi mais ou menos assim que a mostarda deixou de ser apenas amarelinha. E sugere que é isso agora que vai acontecer com o ketchup. Começa a contar a história do homem que quer revolucionar o mercado americano da venda de ketchup com uma nova marca, e que ao supreender as pessoas com o sabor de seu produto dizia "Sabe por que você gostou tanto? Porque você comeu ketchup ruim a sua vida toda".
O Ketchup continua sendo o símbolo da cultura americana. Por que eles até podem colocar numa embalagem mais bonitinha, com gosto melhorzinho, mas por melhor que o John Kerry seja em relação ao Bush, ele continua sendo americano. E eles continuam devorando o sabor de todo o mundo.
Escrito por Renata CS às 02h39
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Depois de uma semana desnecessária, um findi absolutamente essencial
Escrito por Renata CS às 02h26
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Trilhas da madruga: Chet Baker Martina Topley Bird Jill Scott (Jazzanova Remix)
Escrito por Renata CS às 02h01
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Turntablism é a habilidade, ou arte, de se fazer música a partir da manipulação de discos de vinil pré-existentes. Kid Koala, japa canadense que se apresentou no sábado no Sonarsound, é um dos artistas mais preciosos nesse meio. Foram três toca-discos usados na noite brasileira, todos os cortes, passagens, mixagens e montagens feitos sem o auxílio de fone - cheguei a cogitar um ouvido absoluto, mas lembrei-me do preciosismo, paciência e meticulosidade que caracterizam os nipônicos e pensei que pode ser mesmo um treino desgraçado.
"Basin Street Blues", música que ele apresentou no Sonar e que é feita uma homenagem a Louis Armstrong, é montada a partir de três gravações diferentes da mesma faixa. Tirou-me lágrimas ao fim, quando colocou "Moon River" "Dream River (??)", uma das preferidas da avó nas palavras do próprio, deixando uma platéia que já estava emocionada numa espécie de catarse. Tá, só eu chorei, mas eu não conto, o povo todo em silêncio, aplaudindo as viradas, rindo, dançando prá dentro, observando, ouvindo acima de tudo.
De formação clássica, eric - o nome da figura - tocou piano quando criança, ouvia discos antigos e descobriu a forma de colocar suas duas paixões juntas. Além de provar ao vivo porque toca-discos podem ser instrumentos musicais, desde que como qualquer outro, sejam bem manipulados.

Escrito por Renata CS às 00h04
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Sempre me intriga o fato de que animais e bebês tem a incrível capacidade de tornar as pessoas meio abestalhadas. É cuti-cuti prá lá, chuck-chuck prá cá e você, do alto dos seus mais de metro-e-meio de altura, de quatro porque aquilo na sua frente é fofinho-bonitinho. Não sei se é hormonal ou visual, mas o certo é que desde que comprei um gato comecei a olhar com benevolência maior essas pessoas. Principalmente porque olha-que-gracinha-o-meu-gato.
Num passeio para desopilar o cérebro na Internet, achei um daqueles sites de menininhazinhas com uma listagem de superstições envolvendo felinos. Definitivamente é algum tipo de hormônio.
 China e Japão: a sorte pode mudar se surgir um gato desconhecido de repente (O que quer dizer "surgir um gato desconhecido de repente"? Ele vem dá tchauzinho do fim da rua? ) Escócia: um gato preto na porta de casa significa prosperidade. (vou tingir Xico e trancá-lo pro lado de fora) Estados Unidos: se um bichano sentar com as patas traseiras viradas para uma fogueira, o seu dono pagará um belo resfriado. (???) França: dá tremendo azar atravessar um rio carregando um gato. (?) Inglaterra: se o fofucho levantar a parte de trás das orelhas, é sinal de que vai chover. Itália: ouvir o espirro de um gato é sinal de coisas boas. (xicoooooo, vem cá gatinho...tem uma pena nova prá você!) Tailândia: antigamente, acreditava-se que a alma de pessoas ficava no corpo de gatos sagrados antes de seguir para outra vida. (!!!) Brasil: se um gato preto cruzar o caminho de alguém é sinal de azar.

Escrito por Renata CS às 16h31
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dois dias de Sonar somados a dois dias de trabalho = ninguém dorme.
Escrito por Renata CS às 07h27
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Passou a tempestade e a calmaria volta ao Lago Titicaca.
ahã, cof-cof (limpando a garganta): Levai-me convosco
Escrito por Renata CS às 11h55
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Fazia tempo que eu não ouvia alguma coisa tão bacana como o projeto de Matthew Herbert que abriu o SonarSound SP ontem. Uma big band de jazz muito bem entrosada, plugada e microfonada de forma que os sons passassem pela mesa/computador de onde ele manipulava e improvisava em cima daqueles sons que já tocavam. O maestro - responsável por manter a ordem em meio ao caos instaurado pelos barulhos de Matthew - mantém o andamento com uma marcação forte de mão e os ouvidos cobertos para não perder o ritmo. Dani Sicilliano tem uma voz linda, jazzista; Arto Lindsay participou também, fazendo lá das suas.
E esse foi só o show de abertura. Que venga el Sonar.
Escrito por Renata CS às 11h20
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“Xipa, xipa meu gatinho, não me coma meus bolinhos, quando tiver pronto eu te dou”
Assim minha avó cantava – e me dava uma colherada de pau na mão – quando me aproximava para roubar o que quer que estivesse cozinhando na panela. Adoro beliscar, mas adoro mais ainda roubar comida.
Pedaço, golinho, mordida, são uma delícia, mas a sensação de transgressão divertida que é enfiar docinhos no bolso ninguém divide. Divirto-me horrores roubando sanduichinhos, salgadinhos e afins de festas grandes. E rio, muito. Armo a tática de guerrilha, escolho os melhores, tento pegar todas as variedades. E claro, como bom Robin Hood, divido os lucros com todo o bando, que é o gran finale.
Algumas vezes eles voam longe, como no casamento que rolei uma escadaria e foi bem casado pra todo lado – pena, nada melhor que bem casado no dia seguinte de casamento, de preferência sentada numa roda de amigas, lembrando os melhores momentos e se lambuzando com pão-de-ló e creme. Outras, eles são a alegria de todos os mortos de fome da madrugada – e´só abrir o bolso que todo mundo dá risada, enfia a mão e fala de boca cheia.
A noite de ontem teve muito chocolate. Só que não fizemos a reunião do bando para divisão dos lucros. Resultado: chocolate derretido na bolsa, no cartão de crédito, no celular, no documento do carro. Mas, doce alegria, tem uma pequena pilha de bombons intactas.
Escrito por Renata CS às 11h13
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Fim ao Diário
Nessa sexta-feira vão rolar as duas primeiras exibições do documentário "A ORQUESTRA INVISÍVEL E OUTROS DJS PIONEIROS DO BRASIL". O documentário é uma das atrações do festival SÒNAR SOUND São Paulo, e vai ser exibido no espaço SòNAR CINEMA - Programa BR SOUND_DOCS.
INFO: Sonár SOUND DIA - Instituto Tomie Ohtaki Primeira Sessão - 10/09 - 16:00hs Segunda Sessão - 10/09 - 20:40hs
MAIS INFO: http://www.nokiatrends.com.br/1_1.asp (entre no link e clique em Sonar Cinema)
MAIS INFO AINDA: A Orquestra Invisível e outros DJs Pioneiros do Brasil Duração: 98 min Direção e Produção: Keke Toledo e Ricardo Camargo Braga . sp . 2004 [lançamento]
Pré-estréia nacional do documentário inspirado no livro Todo DJ já sambou - A história do disc-jóquei no Brasil,da jornalista Cláudia Assef. O filme apresenta as primeiras décadas de um panorama histórico por meio de depoimentos e fotos de época. Focalizado em alguns dos pioneiros da discotecagem no país, DJs de uma época em que essa arte sequer era profissão, o documentário apresenta um lado pouco conhecido da cultura disc-jóquei. Para contar um pouco dessa história, que começou nos anos 50, a equipe procurou os primeiros DJs, revelando o que fazem hoje, o que têm a contar e a forma como cada um encara a passagem do tempo
Escrito por Renata CS às 18h57
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pequenas considerações
*Existe coisa mais incrível que uma ferramenta que permite corrigir/apagar/reescrever pensamentos?
*Camiseta do Dia: Little Miss Drama
Escrito por Renata CS às 16h07
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Dom Quixote de La Mancha, cavaleiro andante e errante, que enxergava nobreza
na vida triste, que trazia em si a carga dramática da honra e lealdade. Será
possível ter me confundido com ele? Vejo coisas que ninguém vê,
valores que ninguém se importa. Um híbrido de Dom Quixote e bobo
da corte é o personagem no momento. Estranho costume de
acreditar nos outros. Eles, estranho costume de me fazer de trouxa.
A dor que tava escondidinha num canto começou a latejar. A minha
cabeça longe, roc-roc, pensando em cada momento, em cada atitude,
analisando as questões por todos os ângulos. E nem todos são belos, alguns aliás
são bem toscos, e prá não falar com formigas na boca eu prefiro me calar.
(...)
Confiança é isso, é deixar claro para que não exista surpresa ruim.
Penso em coincidências estranhas, em desejos inconciente-conscientes.
Dói pensar que mesmo sem querer alguém pode ter feito coisas de maneira
que elas se encaminhassem para um gran finale que no final não foi gran prá
ninguém. Dói pensar que pior, nenhuma trama ardilosa aconteceu, nenhum grande
amor, nenhuma paixão, e simplesmente passaram por cima como tratores porque
nada melhor havia para fazer naquele momento e um calor tomou conta de corpos
que sem pensar foram lá, fornicaram, mataram o calor que podia ter sido sanado
com um belo gole dágua e menos dor para o meu lado. (...)
Então eu fico assim, meio tartaruguinha, dentro da casca pensando, tomando
força prá em breve sair no mundo de novo. Tento não levar comigo mágoas que nada
acrescentam, que só vão me fazer voltar prá casca, simplesmente por achar que
num mundo onde todos lutam sua guerra pessoal, pareço um Dom Quixote procurando
pessoas a defender quando nem elas mais existem, veja você.
Escrito por Renata CS às 13h57
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Encontros e Desencontros
Bob : Can you keep a secret? I'm trying to organize a prison break. We have to first get out of this bar, then the hotel, then the city, and then the country. Are you in or you out? Charlotte : I'm in. ********* Charlotte : I just don't know what I'm supposed to be. Bob: You'll figure that out. The more you know who you are, and what you want, the less you let things upset you

(n.r: Bob, nem sempre é possível passar ileso)
Escrito por Renata CS às 01h27
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Ella canta com Louis no fundo o tema, um sono provocado se aproxima e toca os ombros. Sobrecarregados, eles tentam relaxar e decansar do que os sobrecarrega: impostos, inesperados, de ganho próprio. Microquilogramas se espalham e impedem a comunicação. Olho e vejo um reflexo distorcido. Olhar perdido, pensamentos que não se encaixam, ações incongruentes. Se de boas intenções o inferno está cheio, como não questionar quando elas parecem apontar para uma direção que custa muito ao coração acreditar que não é proposital. Sentir-se marionete é opressão maior que acreditar que está tudo nas mãos de Deus.
Escrito por Renata CS às 00h39
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Segue a rima, levante as mãos prá cima...
a vida continua, as respostas ainda sumidas. Perdida. Imersa. Dispersa.
Escrito por Renata CS às 18h38
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Rê.comenda
*Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças "Clementine : Joel, I'm not a concept. Too many guys think I'm a concept or I complete them or I'm going to make them alive, but I'm just a fucked up girl who is looking for my own peace of mind. Don't assign me yours. Joel : I remember that speech really well. Clementine : I had you pegged, didn't I? Joel: You had the whole human race pegged. Clementine : Probably. Joel: I still thought you were going to save me. Even after that." (cortesia Imdb.com)
*Sobre Meninos e Lobos - Filmaço. E não preciso te dizer mais nada prá não revelar a história.
*Livro Zero - Três dias prá ficar passada com as reviravoltas de uma história que começa sem te dar pista do que vai se passar. Crime. Castigo. Pena. Redenção. Santo. Prisão. Vai ler!
*DVD Propaganda - Nação Zumbi Fui ao show na sexta-feira e não canso de ficar feliz toda vez que ouço a Nação Zumbi, melhor banda nacional, independente do estilo musical que você aprecie. A presença de palco da banda toda é impressionante, magnética. O show deles é programa prá toda a vida. Já que você perdeu, aproveita o DVD.
Escrito por Renata CS às 12h04
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Tantotempo que não passo por aqui. Tantacoisa que acontece ao mesmo tempo. Não é esse o clichê da vida? Que ela passa rápido? E de repente, em meio há uma pequena tempestade, um tornado hollywoodiano me acorda no sábado de manhã, quando o cérebro tá emperrado de uma noite que foi estranha, embrulhada as entranhas. Mas não rolava tempo prá punhetação mental: meu pai estava no hospital! Corri, chorei, e pensei. Pensei na vida, pensei em tudo. Pensei nesse que já era o pior dia do mundo e da minha vida adulta. Vi que o tempo colaborava pra intempérie pessoal. Nada se sabe, não há muito o que fazer. O velho Zéma apaga. Desmaia, fica roxinho, e desespera todos que estão no seu caminho. Exames. Espera. Pensa. Pensa na vida. No que fez. No que fará. Pensa em todas as burradas: nas afrontas que não disse "NÃO", apesar de insistir em dizer muita coisa, às vezes três importantes letras sofrem prá sair da boca. Magoa-se e aos outros. Sofre às vezes o reflexo da loucura alheia. Tudo isso por falta de Não. Magoa quem gosta, sofre por bosta (expressão do interior que meu pai me ensinou), e fica carapicunhando como foi que deixou tudo aquilo acontecer. Vê no reflexo da sua falta de posição, a dor que dói o coração. Zéma ensinou tanta coisa...lealdade, amizade, amor...valores que eu pensava enquanto encarava ele deitado naquela poltrona de Pronto-atendimento, ele cochilando quase ao relento não fosse a quantidade de guardas velando seu sono. Medo. Muito. Eu sou sozinha. Ele é referência. Ama, vive e tenta me convencer a deixar a ostra. Conhece como ninguém a filha que é grande e ao mesmo tempo tosca, parece criança com medo, tem vontade de correr, pedir colo pro pai que nem aos dez anos quando ele virou e pegou as duas; desde os dez tenta ensinar como ser humano. Tem suas limitações, erra, caga muitas vezes. Nunca deixou de tentar - nem que fosse na cabeça dele - fazer o melhor. Ontem mesmo ele saiu, sem muitas respostas, ficamos sentados aproveitando o repouso recomendado, depois de tanto tempo eu ali, encostada no ombro dele, quase chorando baixinho ao ver um filme bom, como há muito não fazia. Merda de vida que precisa acabar um dia. Pelo menos ele podia durar o tempo que eu estivesse na Terra. Mas não dura. Como eu não vou durar, nem ninguém. O máximo que dá prá fazer é aproveitar o tempo enquanto se está bem.
Escrito por Renata CS às 11h40
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Hoje tem cinema à tarde. E café. E terminar o livro. Vou aproveitar o dia off (folga de garçom - acho que nem garçom folga na 4af, mas belê), ir ao cinema, chorar com o Jim Carrey, pegar o metrô prá terminar de ler um livro e ir te encontrar prá gente papear no fim do dia. Prometo ligar antes prá ter certeza de que vc estará com horário livre e estômago vazio. Não fuja da raia, nem da praia, ou, no mínimo, tenha uma certa dose de paciência comigo que eu tb tô precisando de um momento de sua iluminação, ó sábia guru.
Escrito por Renata CS às 11h55
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No caderninho de anotações
A limpeza está próxima da divindade
Escrito por Renata CS às 11h54
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Mood cascudo, como me ensinaram, é o que passo hoje. Tô na concha. Nem triste, nem feliz. Dedos cortados, unhas quebradas. E uma necessidade de escrever, mas se escrever me exponho, ó dúvida cruel. Então achei um texto antigo, dezenove de abril de 2003. E transcrevo-o agora - segurando as mãos prá não "ajeitá-lo" enquanto isso acontece (aaaaaa, desespero):
"O começo vem claro na cabeça mas some quando encontro o papel. Sempre me vi como boa contadora de histórias. Mas achava uma pretensão achar (irc) que as minhas eram realmente interessantes. Como se alguém fosse se importar em lê-las. Percebi que o que leva alguém a escrever, no entanto, não é o fato de achar que sua história é realmente boa. É um impulso maior, quase como a confissão de uma viúva siciliana a um padre: uma questão de necessidade. E aí vê-se que a nenhuma história, por mais singular que seja, é única. São universais. E é por isso que às vezes (irc) muitas histórias se fundem, porque essas lembranças e tentativas de compreensão - ou alguém acredita que quem escreve não está tentando clarear a mente sobre algum fato? - são também retratos de como vive a sua geração (irc). De como ele próprio vai viver com isso. Pretensões à parte, nunca acreditei nessa história de que todos querem ser jornalistas ou escritores. Como podem (irc) imaginar ter algo tão relevante a contar. Mas aí lembrei que não é o contar que faz alguém sentar e encarar o papel. É quase (irc) uma tentativa desesperada de esclarecer e não perder acontecimentos bacanas (irc) que se desenvolveram muitas vezes à sua frente - consigo ou com os outros. É por isso que essa não é a minha história. É a história de nós."
irc = eu mudaria isso....
Escrito por Renata CS às 11h42
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