DonaNilda


"estou bem em linhas gerais mas meio deprê hoje e chegando a conclusão que "como vc está? ou tudo bem?" é a pergunta mais descabida do mundo...."

porque cada um que perguntava, dependendo da intimidade e gostância da pessoa, era como se fosse uma punhalada, um haikai dizer "ah, tá tudo bem". Não tava, porra. Sou a pior mentirosa do mundo. Dá para ver nos olhos, ou no caso do msn, nas respostas monossilábicas. E por mais que o véu azul continue um pouco por aqui, a melhor coisa foi ouvir :

*"Vai comer chocolate!"
*"Acontece, flor, se precisar de colo, liga"
*"Não vou dizer melhoras, que isso é só contigo, mas estou aqui"
*"Quer que eu vá para a sua casa agora?"

Obrigado aos amigos queridos, é sempre bom contar com vocês.



Escrito por Renata CS às 19h59
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Tecnicamente não há motivo. Ou, se quiser culpar o além há vários - um resquício de TPM, um possível adiantamento do inferno astral, algum tipo de conjunção que o Quiroga queira citar, ou simplesmente o fato que esse sentimento existe e ponto. Solidão. Existe em todos mas vez em quando te atinge em cheio. Sem você saber como nem por quê. Vem como um véu, delicadamente colocado, um tule negro turvando a vista, a cabeça toda coberta por ele.

Tecnicamente não há motivo. Trabalho vai bem, a vida também. Tenho amigos dedicados, delicados, sagrados. Tenho queridos e outros apenas conhecidos. Tenho mimos, embora ainda não tenha encontrado "o", mas isso não causa constrangimento, que é só lembrar do calor da última paixão para reafirmar a certeza de que existe, que rola, e que essa coisa não tem hora.

Tecnicamente não há motivo mas tem hora que cessa o riso. Assim, sem mais nem menos. Uma ressaca moral, um mal estar que toma conta do corpo, da alma, das idéias e vontades. Não é possível falar ou teclar sem chorar. E não é choro de dar dó ou choro sem fim. Não parece um choro com motivo real. Choro de quem sente oco o lado de dentro, mesmo que transbordado de água, as lágrimas transbordaram e deram um jeito de escapar. Choro de querer entrar na concha e encontrar aconchego. Mesmo sem saber se lá está.

Tecnicamente não há motivo. Há vontade de sentar com alguém e não falar. Só ouvir. Sentir que o tempo passa. E que aquela merda de sentimento vai passar. Porque tem que. Porque vai. Mas... na hora é só a sensação de despejo de uma tonelada de pequenos e pesados pedregulhos. Será que tropecei e caí numa daquelas medonhas caçambas que infestam a cidade?

Respiro. Tenho que ir. Mesmo sem querer. E isso é o que mata. Na vida da princesa que habita o imaginário coletivo não há espaço para tristeza-peso-e-dor. Tem de estar linda, flanando sorridente. Tem de estar pululante, contagiante, como se não houvesse mais nenhum instante. Tem que estar alerta, com pautas e idéias geniais. A mágica tem que acontecer. E Alice só quer seguir o coelho ou atravessar o espelho.  

É possível imaginar algo pior que rir quando se quer chorar, que falar quando se quer calar?

"A solidão tem dessas coisas. Fica quietinha enquanto nos entretemos com o que desejamos. Depois, vem e nos diz do que precisamos.E aí ficamos meio assim." (.hazel)

"Yes indeed Im alone again/ And here comes emptiness crashing in/ Its either love or hate/ I cant find in between (...)
So now its just another lonely day (...) But for now its just another lonely day"  (Another lonely day - Ben Harper)



Escrito por Renata CS às 14h33
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É hoje



Escrito por Renata CS às 13h11
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pronto. aconteceu de novo. milhares de assuntos nas pontas dos dedos até chegar aqui e ...pimba....esqueço de tudo. Saco

Comecemos com as recomendações. Blog novo, recém descoberto:
Diogo Medina
e
Just Mon Regard - que é tudo o que Dona Nilda quer ser quando crescer, ou assim que fotolog.com/hellorenats fizer meu template novo

ah, lembrei

tem o livro do tim burton

e o crime ferpeito

tem a berliner que eu vou agora

e um novo blog para cuidar

 só que agora eu tenho de ir gravar....see u in a few



Escrito por Renata CS às 13h02
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Clap

(further comments later)



Escrito por Renata CS às 10h16
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mais rapidinhas musicais:

se melhorar estraga ou já que tá gostoso deixa
(ai, ai, ai mata o papai!)



Escrito por Renata CS às 15h27
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dois rápidos comentários:

*"Coqueiro Verde" com Erasmo Carlos. Tem coisas que só um ex fissurado em música faz por você.

*Street Dance. É aula. De ginástica. Sobrevivi à primeira sem esbarrar em ninguém. Mas, confesso, a tal tatuagem "direita" e "esquerda" nos pulsos, parece mais essencial que nunca.

Escrito por Renata CS às 15h44
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No programa de hoje

  

* A arte de Alexandre Orion
*Film Fashion e cenas de Zuzu Angel
*Festa Frankafrika@ Saravejo com M.Takara e MC Akin
*Tqter, clip e muito mais

23h15@ Multishow canal 42 da NET/SKY (ou na 6af às 6h30, 8h30 e 13h30)



Escrito por Renata CS às 15h42
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etiqueta virtual

* se eu não gostei do som de uma banda que pediu para ser adicionada à minha lista de amigos do myspace eu não preciso adicioná-la, né?

Escrito por Renata CS às 12h20
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frases da semana

*O I-pod salvou meu casamento

Escrito por Renata CS às 12h20
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Nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres



Escrito por Renata CS às 02h25
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  "Concordo plenamente com você", disse a Duquesa; "e a moral disso é 'Seja o que você parece ser'...ou, trocando em miúdos, 'Nunca imagine que você mesma não é outra coisa senão o que poderia ter sido não fosse senão o que você tivesse sido teria parecido a eles ser de outra maneira'."
  "Acho que entenderia isso melhor", disse Alice, muito polidamente, "se o visse por escrito; assim ouvindo, não consigo acompanhar muito bem."
  "Isso não é nada perto do que eu poderia dizer, se quisesse", respondeu a Duquesa, encantada.

(Alice no país das maravilhas cap: a história da tartaruga falsa)

Escrito por Renata CS às 01h54
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Oooops



***
Se você colou no Studio SP e se acabou com os hits do I love, o meu muito obrigada e um grande pedido de desculpas. A pessoa abilolou e não conseguiu chegar a tempo da festa; na verdade cheguei 23h30, para ouvir a última música.
Mas confesso, findi foi feliz.

Escrito por Renata CS às 01h47
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Enjoy the silence

querido papai do céu

Gostaria de pedir encarecidamente que o senhor providenciasse, como medida de proteção à moçoilas desavisadas, que os próximos seres humanos de cromossomos XY viessem dotados de fábrica com um alarme. Alarme esse que seria disparado quando o gajo em questão fosse comprometido e viesse a fazer gracejos à uma desatenta moça solteira. Já imaginou a cara de constrangimento quando ele viesse cheio de segundas, terceiras e quartas intenções numa conversa e do nada um alarme estrondoso, urgente e histérico começasse a berrar?

Isso pouparia muita coisa, sério. Pouparia a decepção quando, depois de duas ou três gracinhas, ele vem com a maior cara de pau dizer, "eu tenho namorada, você sabe, né?".
Não, não sei. Como saberia? Deve ser surdez, talvez.
De repente você falou entre o minuto em que eu estava quieta no meu canto e você veio colar e me chamar para sair. Eu entendi "quero te levar para jantar" quando você dizia "eu tenho namorada".
Ou quando você me beijou, desprevenida, e no meio o que eu achei que era suspiro eram palavras ininteligíveis dizendo "eu tenho namorada! eu tenho namorada!".
Ou entre aquele 4o e 5o e-mails, quando você dizia que eu era uma pessoa bem bacana, ali, em alguma entelinha tinha escrito "olha, eu tenho namorada." Não, na verdade era na frase seguinte.

Então, papai do céu, poupa essa sua filha disso. Tem dias em que você quer colo, carinho e cafuné. Por mais difícil que seja bancar estar sozinha, ainda é uma opção. E estar sozinha não dói. O que dói são os potencializadores da sensação de carência. Ela aumenta vertiginosamente quando você volta de viagem. E sozinha, tem que encarar que as pessoas que te procuram tem outras pessoas, e que por mais que você tenha vontade de falar com elas, elas tem uma prioridade. E não é você.

 



Escrito por Renata CS às 17h43
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da violência que mais ouvi que vi

4afeira, no táxi:
- mas e esses dias, o que o senhor viu de verdade?
- eu vi ônibus queimando, vi o trânsito parado, foi uma loucura. E dizem que hoje vai ter de novo. Meu primo é da perícia da polícia civil. Ele não participa das investigações mas sempre sabe do que acontece...
- sei, a rádio corredor.
- pois é, ele disse que hoje a polícia espera novos ataques durante a noite.

4af (a mesma), quase 20h30
- o que você vai fazer hoje filha?
- vou gravar pai.
- durante a noite?
- é.
- mas filha, tio Ivan ligou e disse que não era para sair de casa hoje porque a polícia matou a mãe e a irmã do Marcola e vai ter vingança.
- pai, se a polícia tivesse matado a mãe e a irmã do Marcola, já estava na internet, no jornal, na tv...é boato.
- filha, não vai trabalhar essa noite não.
- pai, vou e volto rápido. É boato.

4af (aparentemente sem fim) das 22hs até às 23h30
Trim-trim-triiiiim
- Alô.
- Filha, não sai de casa. A coisa aqui no Morumbi tá preta. Tem polícia para todo canto, dentro da favela.
- Pai, vou para o outro lado.
- Filha, não fica dando sopa.

Trim-trim-triiiim
- Alô.
- Nirdis?
- Fala irma...
- Onde você está?
- Perto da Globosat, com o Leandro e a Carol. Vou gravar daqui há pouco.
- Sei...porque eu estava no clube e falaram que mataram alguém parente de alguém do PCC e já tá a maior zona. Que vai ter ataque essa noite.
- Eu ouvi. Acho que é boato.
- Não é não, parece que tem polícia até a tampa do Morumbi, ali na saída da Paraisópolis.
- Sei....mas eu vou e já volto.
- Você volta dirigindo sozinha? Não fica dando sopa à noite não.
- Volto Manos, mas são nem dez minutos da Tv até em casa.

- O que foi?
- Minha irmã preocupada com o fato de eu gravar hoje à noite. Aliás, vocês estavam falando, o que viram na 2afeira?
- Ligaram da escola do Bui para eu ir buscá-lo às duas e meia porque falaram em atentado no Mackenzie, na FMU, na estação Paraíso do Metro.
- Olha, achei meio exagero do povo... saí da Cartaz às oito e pouco para levar a minha sócia até a casa dela já que não tinha conseguido chamar um táxi e atravessei uma cidade fantasma. Oito e meia desci e Rebouças e não cruzei UM carro.
- Pois é, também tô achando meio fóbico tudo isso...a rua da DP na Estados Unidos bloqueada, o povo falando que tá cheio de polícia pelo Morumbi. Pára vai.
(o homem da mesa ao lado se intromete)
- Mas imagina você que eu estava agora gravando no Morumbi um programa político para o fulano do PFL e que ele recebe um telefonema no meio da gravação falando da situação no Palácio do Governo. Realmente tem polícia em todo o Morumbi. Parece que mataram alguém errado nessa revanche policial. E indicaram que terminássemos a gravação ali porque são esperadas ações essa noite.
...
- Gú...estou ligando porque não vou gravar. Não, não tem nada concreto. Mas acho melhor não. É, a rua da DP tá bloqueada, tá todo mundo falando que vai ter ação e eu estou com medo. Medo por mim. Medo pela equipe que depois tem de ir para casa, cada um morando na PQP. Tô derrubando a gravação, tá?

 
(arte: Kako - kakofonia.com - Beirando o ridículo, nos trancamos em casa apenas esperando a Copa do Mundo chegar)

Paulistana. Até a ponta dos fios de cabelo, tão paulistana que não nasci na cidade. Tão paulistana que sei dos defeitos que só eu posso enumerar e esculhambar porque amo a Babilônia. Estranha coincidência foi estar ausente durante todo o caos que encheu de medo os habitantes da maior metrópole da América do Sul.
Na noite de 6afeira para sábado, estava na casa da avó no interior, cidade sem semáforo. No domingo voei para o RJ e lá permaneci até 4afeira, aguentando gracinhas de uns redimidos pelo sinal de que em SP também há guerra civil e outros com olhares na linha "sei o que você passa".

Voltei e esbarrei na micro-experimentação do pânico dos habitantes: informações desencontradas, boatos absurdos, medo nas pessoas e peso no ar. Desmarcada a gravação, voltei para casa, quase uma da manhã. Nada além da minha percepção do que acontece a volta é diferente dos outros dias. Alguns carros passam na Faria Lima, alguns ultrapassam o farol vermelho, isso acontece sempre, ainda mais depois da meia noite. Ao mesmo tempo tem uma aura, uma coisa que traz o medo, que faz chamar a sua atenção aos galhos secos e esticados ao invés das folhas da copa das árvores. O que se vê na rua são algumas polícias no posto, alguns táxis na beira da calçada. O diz que diz é muito grande. É difícil acreditar que tudo isso aconteceu. A 4afeira na cidade não parece diferente de nenhuma outra em que cheguei quase uma da manhã em casa. Ao mesmo tempo há um clima diferente, um ar pesado, uma respiração tensa, uma atmosfera seria a palavra certa. Uma agonia de virar refém. 
E aí começa a bagunça. Gente pedindo cabeça, gente pedindo tv na copa, gente pedindo visita íntima. A idéia é ser privado como forma de punição por algum ato deliberadamente cometido. Na prisão não tem que ter tv ou sexo. Tem que ter educação para mudar a vida dessas pessoas. E uma comida decente. E não ter superlotação. Ou celular. Quem fez errado sabia o que estava fazendo, é o peso do livre arbítrio. E agora tem que pagar por isso. Tem muita coisa errada no sistema. Tem. Tá muito injusto? Tá. Mas não é matar, morrer ou queimar que vai resolver.
Chego em casa devido aos relatos desencontrados. Carrego a expressão de exagero, que tudo isso faz parte de uma reação maluca de uma cidade que nunca teve de lidar com gente inconformada, revoltada, de uma sociedade em pânico.


(bansky, artista inglês: banksy.co.uk)

Ah, sim e o nosso incrível governador Lentoooops, Lembo e sua entrevista no JN de 2afeira? "Nada está acontecendo". Então tá. Só se for nada na fronteira de gaza. Bom para começar a prestar atenção no nome do vice na hora da votação.



Escrito por Renata CS às 19h04
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A coisa mais sensacional que vi nos últimos tempos



Escrito por Renata CS às 20h41
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Drag queen

Toda vez que esqueço que menos é mais, acabo com a impressão que vez por outra baixa um espírito de drag queen em mim

Escrito por Renata CS às 20h33
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